The Witcher 3 e o jogo que mudou minha relação com videogames
Uma jornada inesquecível pelo Continente que redefiniu o que esperamos de um RPG de mundo aberto.
Matheus Dias
26 de agosto de 2026

Uma Obra-Prima Impecável
Eu não lembro exatamente quando The Witcher 3 deixou de ser apenas um jogo para mim. Talvez tenha sido em uma noite qualquer, sentado jogando sem perceber o horário. Talvez tenha sido depois de passar tempo demais em uma taverna jogando Gwent quando eu deveria estar fazendo uma missão. Ou talvez tenha sido simplesmente naquela sensação estranha de desligar o jogo e já estar pensando em quando eu poderia voltar. Eu estava há muito tempo procurando por alguma coisa que me fizesse sentir aquela vontade genuína de continuar jogando. Eu começava jogos, jogava algumas horas, mas alguma coisa sempre faltava. A empolgação desaparecia. Eu parava. Começava outro. E repetia tudo de novo. Esse jogo me fez ter calma. Pra mim The Witcher é desacelerar, achar paz em um mundo que monstros, pessoas ruins e guerras.
Personagens, ambientação e história
Se existe uma coisa que faz The Witcher 3 permanecer tão vivo na memória, é a maneira como ele constrói seu mundo. Não é apenas um mapa grande. É um mundo que parece ter existido antes de você chegar e que continuará existindo depois que você for embora. Geralt é, obviamente, o centro de tudo. Mas o que torna Geralt tão interessante é justamente o fato de ele não parecer um protagonista tradicional. Ele é um homem cansado, alguém que já viu guerras, monstros, morte e sofrimento demais para acreditar que o mundo é simplesmente dividido entre heróis e vilões. Geralt parece indiferente em muitos momentos, mas quanto mais tempo passamos com ele, mais percebemos que essa indiferença é quase uma armadura, uma casca criada diante de tanta dor que ele sentiu, mas que desaparece quando o assunto é a Ciri. Ciri não funciona apenas como alguém que Geralt precisa encontrar. Ela representa uma ligação emocional que dá um peso enorme à jornada. Existe uma preocupação constante com o destino dela, mas também existe algo muito mais humano: a relação entre os dois, um vinculo de pai e filha. Com o amor exsite Yennifer e Triss, cada uma com uma personalidade única. Yennifer, uma personagem difícil, intensa e muitas vezes complicada de compreender. A relação dela com Geralt não é construída para ser simplesmente romântica ou bonita. Existe conflito, orgulho, ressentimento, carinho e uma quantidade enorme de história entre os dois. O que torna um amor único, ao decorrer de jogo vemos o quanto Geralt se importa com ela e tem boas memorias em sua companhia. Triss segue um caminho totalmente diferente. Ela é mais calorosa, mais acessível e cria uma dinâmica completamente diferente com Geralt. É fácil, mas quem disse que o fácil é melhor, não é? E então temos personagens como Dandelion, Zoltan, Vesemir e muitos outros, que fazem o mundo parecer ainda mais humano. Faz a amizade ser muito nítida no coração de Geralt. Vesemir, principalmente, possui uma importância enorme porque representa uma espécie de figura paterna para Geralt e para os outros bruxos.
O mundo maravilhoso
Mas talvez nenhuma palavra defina melhor The Witcher 3 do que atmosfera. Velen é um lugar miserável, com tudo de ruim que um mundo medieval com monstros pode oferecer; Guardas matando, prostitutas por ai, ladrões, assassinos e monstros sanguinários. As vilas estão destruídas, as pessoas estão famintas, existem cadáveres pendurados em quase todas as árvores. E mesmo assim, existem pequenos momentos de humanidade no meio de tudo isso. Uma música tocando em uma taverna, pessoas contatando histórias e alguém jogando Gwent. Novigrad apresenta outra face desse mundo. É enorme, movimentada, cheia de pessoas, comércio, religião, criminosos e diferentes grupos tentando sobreviver. E quanto mais alto, o contraste entre pobreza e riqueza diminui. Tal como a vida real. Já Skellige possui uma identidade completamente diferente de tudo que vimos no jogo até agora. O mar, as montanhas, as ilhas, a cultura dos clãs e aquela sensação quase nórdica fazem com que você sinta que atravessou para outro lugar. The Witcher 3 consegue juntar tudo isso em uma experiência que parece muito maior do que sua própria história principal. Você começa procurando Ciri, mas no caminho descobre novas coisas, histórias e novas preocupações. E, quando percebe, já não está jogando apenas para descobrir o final da história. E acho que é justamente aí que The Witcher 3 alcança algo raro, ele não apenas cria uma historia com começo, meio e fim, o jogo está vivo, ele está pedindo para você explorar e fazer coisas novas. Pra mim, o melhor jogo de todos os tempos.
Veredito
Uma experiência inesquecível
